Quando metade dos seres humanos adormece inexplicavelmente, o que surge é um cenário apocalíptico: prédios em chamas, falta de eletricidade e pessoas desesperadas correndo sem rumo pelas ruas. Nada mais funciona como de costume, e os hospitais ficam lotados com vítimas do que parece ser uma terrível epidemia. Porém, tudo piora quando uma parte dos “adormecidos” desperta com uma sede incontrolável de sangue. Inicia-se então uma guerra de proporções nunca antes registradas, entre humanos e vampiros, naquela que, para sempre, seria chamada de A noite maldita. Ambientado em diversas cidades do Brasil, o livro leva o leitor a um mundo caótico e sombrio, onde a luta pela sobrevivência é constante e qualquer descuido pode ser fatal. Conheça a origem da aclamada saga “O Vampiro-Rei” e descubra como as batalhas entre humanos e vampiros começaram
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sábado, agosto 17, 2013
A Noite Maldita - Vianco
A Noite Maldita - Crônicas do fim do mundo
* Blog do Vianco
Label:
andre vianco,
lançamento,
literatura brasileira,
livros,
suspense,
terror,
vampiros
Local:
Saitama, Japan
segunda-feira, julho 22, 2013
Caçadores: Sozinhos - Phelan
Caçadores - Sozinhos vol. 1Autor: James PhelanEditora: FundamentoPáginas: 184Ano: 2013Caçadores é o primeiro livro da série de James Phelan. A história gira em torno de uma explosão misteriosa que sacode Nova York. Abalados com o acidente que sofrem no metrô, quatro amigos se vêem no meio de um apocalipse de zumbis. Cansados, com sede e confusos, eles lutam para continuarem vivos.Sinopse: Uma forte explosão sacode os túneis do metrô de Nova York. Um trem sai dos trilhos e tomba violentamente. O jovem Jesse e seus amigos Dave, Anna e Mini são os únicos a sair com vida. Mesmo machucados, os quatro retornam à superfície e encontram um quadro pavoroso. Mortos, feridos, prédios reduzidos a pilhas de escombros fumegantes… Aparentemente, a cidade havia sofrido um ataque. Mas o pior eram os sobreviventes. Sem motivo aparente, eles haviam se tornado criaturas dementes, acometidas por uma sede que não podia ser saciada. Uma desesperada necessidade de consumir qualquer tipo de líquido, incluindo sangue. Jesse e seus amigos escaparam ilesos dessa contaminação. Mas agora, sem ter para onde ir e sem ninguém para ajudá-los, eles precisam encontrar um jeito de sobreviver… sozinhos.
Local:
Saitama, Japan
quarta-feira, julho 10, 2013
Sangue na Neve - Gardner
Sinopse: A policial Tessa Leoni matou seu marido, Brian Darby, em legítima defesa. A arma do crime está à vista de todos e os hematomas no corpo de Tessa confirmam a ocorrência. A policial também não fez questão de fugir, ou de arrumar qualquer justificativa para explicar aquele corpo estendido no chão da cozinha, portanto, aparentemente, o que a investigadora D.D.Warren tem à sua frente é o desfecho de uma briga doméstica. Um caso simples. No entanto, ao abrir o inquérito, D. D. terá uma surpresa: este não é o primeiro homicídio de Tessa Leoni e — afinal — onde está a filhinha de seis anos da policial? Será que a policial Leoni realmente atirou em seu marido para matá-lo? Uma mãe seria capaz de prejudicar intencionalmente sua filha? D. D. Warren, a experiente detetive que acredita que desvendar um caso é como mergulhar na vida do criminoso, enfrentará mais uma investigação que a levará a uma busca frenética por uma criança desaparecida enquanto tenta encaixar as peças de um mistério familiar que a levará a quebrar os muros do corporativismo policial.
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lisa gardner,
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Local:
Saitama, Japan
terça-feira, dezembro 11, 2012
O Pacto - Hill
Nome: O Pacto
Autor: Joe Hill
Gênero: Literatura Estrangeira, Ficção, Suspense, Terror
Editora: Sextante
Páginas: 320
Na obra, O Pacto, Ignatius Perrish sempre foi um homem bom. Tinha uma família unida e privilegiada, um irmão que era seu grande companheiro, um amigo inseparável e, muito cedo, conheceu Merrin, o amor de sua vida.
Até que uma tragédia põe fim a toda essa felicidade: Merrin é estuprada e morta e ele passa a ser o principal suspeito.
Embora não haja evidências que o incriminem, também não há nada que prove sua inocência. Todos na cidade acreditam que ele é um monstro. Um ano depois, Ig acorda de uma bebedeira com uma dor de cabeça infernal e chifres crescendo em suas têmporas. Descobre também algo assustador: ao vê-lo, as pessoas não reagem com espanto e horror, como seria de esperar.
Em vez disso, entram numa espécie de transe e revelam seus pecados mais inconfessáveis.
Um médico, o padre, seus pais e até sua querida avó, ninguém está imune a Ig. E todos estão contra ele. Porém, a mais dolorosa das confissões é a de seu irmão, que sempre soube quem era o assassino de Merrin, mas não podia contar a verdade. Até agora. Sozinho, sem ter aonde ir ou a quem recorrer, Ig vai descobrir que, quando as pessoas que você ama lhe viram as costas e sua vida se torna um inferno, ser o diabo não é tão mau assim. Joe Hill, autor de "A estrada da noite", já foi aclamado como um dos principais novos nomes da ficção fantástica.
Em O Pacto, o sobrenatural é pano de fundo para uma história de amor e tragédia, de traição e vingança. Um livro envolvente, emocionante e cheio de suspense que nos leva a refletir: em matéria de maldade, quem é pior, o homem ou o diabo?
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quinta-feira, novembro 08, 2012
Bram Stoker - O Drácula
~ Autor:
Tudo começou com Bram Stoker (Abraham Bram Stoker), um irlandês nascido em 8 de Novembro de 1847. Ele é o desenvolvidor de Drácula, a principal obra e mito literário moderno de um vampiro. Estudou em Dublin. Se tornou crítico em teatro no jornal Dublin Eventing Mail. Se mudou para Londres em 1878, logo após se casar com Florence Balcombe e passou a trabalhar na companhia teatral Irving Lyceum. Irving Noel Thornley Stoker, seu único filho nasceu em 31 de Dezembro de 1879. Trabalhou com Henry Irving e viajou por vários países, apesar de nunca ter visitado a Europa Oriental, cenário de seu famosos romance. Enquanto esteve no Lyceum Theatre de Londres, começou a escrever romances e fez parte da equipe literária do jornal londrino Daily Telegraph, para o qual escreveu ficção e outros gêneros. Antes de escrever Drácula, Stoker passou vários anos pesquisando folclore europeu e as histórias mitológicas dos vampiros. Depois de sofrer uma série de derrames cerebrais, Stoker faleceu em Londres no dia 20 de Abril de 1912. Alguns biógrafos atribuem a um processo desencadeado por uma sífilis terciária como causa de sua morte. Seu corpo foi cremado e as cinzas estão numa urna no Crematório de Golders Green, em Londres, Inglaterra.
Tudo começou com Bram Stoker (Abraham Bram Stoker), um irlandês nascido em 8 de Novembro de 1847. Ele é o desenvolvidor de Drácula, a principal obra e mito literário moderno de um vampiro. Estudou em Dublin. Se tornou crítico em teatro no jornal Dublin Eventing Mail. Se mudou para Londres em 1878, logo após se casar com Florence Balcombe e passou a trabalhar na companhia teatral Irving Lyceum. Irving Noel Thornley Stoker, seu único filho nasceu em 31 de Dezembro de 1879. Trabalhou com Henry Irving e viajou por vários países, apesar de nunca ter visitado a Europa Oriental, cenário de seu famosos romance. Enquanto esteve no Lyceum Theatre de Londres, começou a escrever romances e fez parte da equipe literária do jornal londrino Daily Telegraph, para o qual escreveu ficção e outros gêneros. Antes de escrever Drácula, Stoker passou vários anos pesquisando folclore europeu e as histórias mitológicas dos vampiros. Depois de sofrer uma série de derrames cerebrais, Stoker faleceu em Londres no dia 20 de Abril de 1912. Alguns biógrafos atribuem a um processo desencadeado por uma sífilis terciária como causa de sua morte. Seu corpo foi cremado e as cinzas estão numa urna no Crematório de Golders Green, em Londres, Inglaterra.

~ A Obra:
Drácula é um romance de 1897, sua principal personagem e protagonista, o vampiro Conde Drácula. Na época, Drácula não foi um besteller, a obra tornou-se mais relevante para os leitores modernos, porém as criticas fossem incansáveis, o jornal britânico Daily Mail o classificou com superioridade à Edgar Allan Poe e Mary Shelley. Drácula tem sido designado como vários gêneros literários, incluindo literatura de vampiros, ficção de horror e romance gótico. Sua obra é epistolar, ou seja, contada como uma série de cartas, entradas de diário, registros de bordo etc. Stoker não inventou o vampiro. Há influência filosóficas e popularidade dos vampiros, que por exemplo, foi singularmente responsável por muitas peças de teatro, cinema, televisão e muitas interpretaçõesde paródias independentes do original. O livro inspirou e virou filme nas mãos de Francis Ford Coppola, apesar de aparatoso, como a maioria dos filme, não é uma reprodução fiel do romance original.
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segunda-feira, outubro 01, 2012
O Jardim de Ossos - capítulo 10
● Capítulo 10 - A dissecação de cadáveres:
— O balde — disse Sewall para Edward, que olhava horrorizado para a incisão. — Por favor, alguém poderia trazer um balde? Uma vez que meu assistente aqui parece incapaz de qualquer movimento.
Risadas ansiosas irromperam aqui e ali diante de espetáculo de seu colega, tão autoconfiante, ter sua reputação publicamente desmoralizada. Enrubescendo, Edward pegou o balde de madeira na mesa de instrumentos e pousou-o no chão, para aparar as voltas do intestino gosmento que escorregava para fora da barriga.
— Cobrindo o intestino — disse o Dr. Sewall —, há uma membrana chamada omento. Acabei de rompê-la, liberando os intestinos, que agora vêem cascateando para fora do abdome. Em cavalheiros mais idosos, especialmente aqueles que foram muito indulgentes com os prazeres da mesa, esta membrana pode ser muito adensada com gordura. Mas, neste jovem espécime feminino, encontro poucos depósitos. — Com mãos ensangüentadas, ele ergueu o omento quase transparente para que todos o vissem. Então, inclinou-se à mesa e atirou-o no balde. Ouviu-se um estalo úmido quando a massa de tecido atingiu o fundo.
— A seguir, devo retirar todo intestino, que obstrui a visão dos outros órgãos. Embora todo açougueiro que tenha esquartejado uma vaca conheça a massa volumosa do intestino, os estudantes que assistiam à sua primeira dissecação freqüentemente se surpreende ao vê-la pela primeira vez. Primeiro, devo eviscerar o intestino delgado, soltando-o à altura da junção pilórica, onde termina o estômago...
Ele se inclinou com a faca e voltou trazendo uma extremidade cortada de intestino. Deixou-o escorrer pela borda da mesa, e Edward a pegou com as mãos nuas antes que caísse no chão. Desagradado, rapidamente jogou-a no balde.
— Agora, devo liberar a outra extremidade, onde o intestino delgado se transforma em intestino grosso, na junção ileocecal.
Novamente curvou-se com a faca e voltou a se erguer segurando a outra extremidade cortada.
— Para ilustrar as maravilhas do sistema digestivo humano, gostaria que meu assistente pegasse uma extremidade de intestino delgado e subisse o corredor, estendendo-o.
Edward hesitou, olhando com nojo para o balde. Com uma careta, enfiou a mão na massa de entranhas e pegou uma extremidade cortada.
— Vamos, Sr. Kingston. Vá até o fundo da sala.
Edward começou a subir o corredor, puxando a extremidade do intestino. Norris sentiu um cheiro horrível de vísceras e viu o aluno do outro lado do corredor tapas o nariz com a mão em concha para atenuar o cheiro. Edward continuou a andar, arrastando atrás de si o cordão fedorento de intestino até que este finalmente se ergueu do chão e ficou esticado, pingando.
— Vejam o comprimento — disse o Dr. Sewall. — Estamos olhando para, talvez, seis metros de intestino. Seis metros, cavalheiros! E este é apenas o intestino delgado. Deixei o intestino grosso no lugar. No interior de cada um de vocês está este órgão maravilhoso. Pensem nisso quando estiverem sentados digerindo seu dejejum. Não importa sua posição na vida, rico ou pobre, velho ou jovem, na cavidade de sua barriga você é igual a qualquer outro homem.
Ou mulher, pensou Norris, o olhar fixo não no órgão, mas no espécime estripado sobre a mesa. Até mesmo uma mulher tão bonita podia ser dissecada e reduzida a um balde que outrora habitara aquele corpo?
— O balde — disse Sewall para Edward, que olhava horrorizado para a incisão. — Por favor, alguém poderia trazer um balde? Uma vez que meu assistente aqui parece incapaz de qualquer movimento.
Risadas ansiosas irromperam aqui e ali diante de espetáculo de seu colega, tão autoconfiante, ter sua reputação publicamente desmoralizada. Enrubescendo, Edward pegou o balde de madeira na mesa de instrumentos e pousou-o no chão, para aparar as voltas do intestino gosmento que escorregava para fora da barriga.
— Cobrindo o intestino — disse o Dr. Sewall —, há uma membrana chamada omento. Acabei de rompê-la, liberando os intestinos, que agora vêem cascateando para fora do abdome. Em cavalheiros mais idosos, especialmente aqueles que foram muito indulgentes com os prazeres da mesa, esta membrana pode ser muito adensada com gordura. Mas, neste jovem espécime feminino, encontro poucos depósitos. — Com mãos ensangüentadas, ele ergueu o omento quase transparente para que todos o vissem. Então, inclinou-se à mesa e atirou-o no balde. Ouviu-se um estalo úmido quando a massa de tecido atingiu o fundo.
— A seguir, devo retirar todo intestino, que obstrui a visão dos outros órgãos. Embora todo açougueiro que tenha esquartejado uma vaca conheça a massa volumosa do intestino, os estudantes que assistiam à sua primeira dissecação freqüentemente se surpreende ao vê-la pela primeira vez. Primeiro, devo eviscerar o intestino delgado, soltando-o à altura da junção pilórica, onde termina o estômago...
Ele se inclinou com a faca e voltou trazendo uma extremidade cortada de intestino. Deixou-o escorrer pela borda da mesa, e Edward a pegou com as mãos nuas antes que caísse no chão. Desagradado, rapidamente jogou-a no balde.
— Agora, devo liberar a outra extremidade, onde o intestino delgado se transforma em intestino grosso, na junção ileocecal.
Novamente curvou-se com a faca e voltou a se erguer segurando a outra extremidade cortada.
— Para ilustrar as maravilhas do sistema digestivo humano, gostaria que meu assistente pegasse uma extremidade de intestino delgado e subisse o corredor, estendendo-o.
Edward hesitou, olhando com nojo para o balde. Com uma careta, enfiou a mão na massa de entranhas e pegou uma extremidade cortada.
— Vamos, Sr. Kingston. Vá até o fundo da sala.
Edward começou a subir o corredor, puxando a extremidade do intestino. Norris sentiu um cheiro horrível de vísceras e viu o aluno do outro lado do corredor tapas o nariz com a mão em concha para atenuar o cheiro. Edward continuou a andar, arrastando atrás de si o cordão fedorento de intestino até que este finalmente se ergueu do chão e ficou esticado, pingando.
— Vejam o comprimento — disse o Dr. Sewall. — Estamos olhando para, talvez, seis metros de intestino. Seis metros, cavalheiros! E este é apenas o intestino delgado. Deixei o intestino grosso no lugar. No interior de cada um de vocês está este órgão maravilhoso. Pensem nisso quando estiverem sentados digerindo seu dejejum. Não importa sua posição na vida, rico ou pobre, velho ou jovem, na cavidade de sua barriga você é igual a qualquer outro homem.
Ou mulher, pensou Norris, o olhar fixo não no órgão, mas no espécime estripado sobre a mesa. Até mesmo uma mulher tão bonita podia ser dissecada e reduzida a um balde que outrora habitara aquele corpo?
sábado, março 13, 2010
Banchō Sarayashiki - A História do Fantasma de Okiku
Uma versão de "Kabuki" em um ato foi criada em 1850 por Segawa Joko III, sob o título Minoriyoshi Kogane no Kikuzuki (実成金菊月), que estreou no teatro Nakamuraza com Ichikawa Danjuro VIII e Ichikawa Kodanji IV nos papéis de Tetsuzan e Okiku. Esta adaptação em um ato não foi popular e rapidamente terminou, até que voltou a ser apresentada em junho de 1971 no teatro Shimbashi Embujo, estrelando a popular dupla Kataoka Takao e Bando Tamasaburo V nos papéis de Tetsuzan e Okiku.
A adaptação mais popular e conhecida de Bancho Sarayashiki, escrita por Kido Okamoto, estreou em fevereiro de 1916 no teatro Hongoza, com Ichikawa Sadanji II e Ichikawa Shocho II nos papéis do Senhor Harima e Okiku. Era uma versão moderna da clássica história de fantasmas em que o conto de horror foi substituído por um profundo estudo psicológico das motivações dos dois personagens. Outra adaptação foi feita em 2002, na quarta história da novela da televisão japonesa Kaidan Hyaku Monogatari (怪談百物語).
~ Bancho Sarayashiki - Versão Popular
Havia uma linda serva de nome Okiku. Ela trabalhava para o samurai Aoyama Tessan. Okiku frequentemente recusava seus avanços, então ele a enganou fazendo-a acreditar que ela descuidadamente perdeu um dos dez preciosos pratos de cerâmica holandesa da família. Tal crime normalmente resultaria em morte. Em um frenesi, ela contou e recontou os nove pratos muitas vezes. Apesar disso, ela não conseguiu encontrar o décimo e foi até Aoyama aos prantos, sentindo-se culpada. O samurai propôs ignorar o problema caso ela finalmente se tornasse sua amante, mas ela novamente recusou-se. Enfurecido, Aoyama a jogou no fundo de um poço para que morresse.
Dizem que Okiku tornou-se um fantasma vingativo que atormentava seu assassino contando até nove e então dando um grito terrível para representar o décimo prato perdido - ou talvez ela estava se atormentando e ainda tentando encontrar o décimo prato, mas gritava agoniada quando ela nunca encontrava-o. Em algumas versões da história este tormento continuava até que um exorcista ou um vizinho gritasse "Dez!" em alto tom no final de sua contagem. O fantasma de Okiku então finalmente tranquilizava-se quando percebia que alguém havia encontrado o prato para ela, e deixava de assombrar o samurai.
Existem versões diferentes da história de fantasma de Okiku. O que todos têm em comum é a descrição de seu fantasma saindo do poço e contando de uma a nove e, em seguida, um soluço de cortar o coração.
Em outra versão, Okiku realmente quebra um prato e é morta por seu mestre e seu corpo jogado para dentro do poço.
Em outra versão, Aoyama tem uma esposa, que quebra a peça. Para ocultar sua culpa, ela joga o prato quebrado nos bens de Okiku e acusa de tê-lo roubado. Nesta versão, ela é também morta por seu mestre por punição e é jogada no poço.
Existe também uma versão alternativa para o fim da história. Para parar com os choros a noite, um amigo da família de Aoyama é contratado. Ele fica escondido no poço durante a noite e depois Okiku aparecia e contava de uma a nove, ele está um passo à frente gritando dez. A partir de então o fantasma de Okiku nunca mais foi visto.
Hosokawa Katsumoto, o Senhor do castelo de Himeji, ficou seriamente doente. O herdeiro de Katsumoto, Tomonosuke, planeja dar um jogo de dez pratos preciosos para o xogum para assegurar sua sucessão. Entretanto, o chefe dos serviçais, Aoyama Tetsuzan, planeja assumir seu lugar. O serviçal de Tomonosuke, Funase Sanpei Taketsune, está noivo de uma dama de companhia: Okiku. Tetsuzan planheja forçar Okiku para auxiliá-lo a matar Tomonosuke.
Tetsuzan, através de um espião, furta um dos dez pratos e chama Okiku para trazer a caixa contendo os pratos para a sua sala. Lá, ele tenta seduzir Okiku. Ela se recusa devido ao seu amor por Taketsune. Rejeitado, Tetsuzan pede então para Okiku contar os pratos, ao que ela encontra somente nove. Ele a culpa pelo roubo e se oferece para mentir por ela caso ela se tornasse sua amante. Okiku novamente recusa e Tetsuzan a espanca com uma espada de madeira.
Tetsuzan a suspende sobre um poço e, eroticamente apreciando sua tortura, a baixa no poço diversas vezes, a espancando quando içada. Ele a ordena a se tornar sua amante e ajudá-lo no assassinato de Tomonosuke. Ela se recusa novamente, ao que Tetsuzan a golpeia com sua espada, jogando seu corpo no poço.
Enquanto limpava sua espada, o som de uma voz contando pratos vem do poço. Tetsuzan percebe que é o fantasma de Okiku, mas fica inteiramente impassível. A peça termina com o fantasma de Okiku erguendo-se do poço, com Tetsuzan olhando para ela desdenhosamente.
Entre os artistas "Ukiyo-e" projetar temas de fantasmas, Yoshitoshi Tsukioka (1839-1892) deve ser mencionado em primeiro lugar. Yoshitoshi acreditava firmemente na existência de fantasmas e estava convencido de que tinha visto pessoalmente aparições sobrenaturais em sua vida.
A impressão de O Fantasma de Okiku na Mansão fazia parte da série Shinkei Sanju Roku-Kai Sen. Foi última série de Yoshitoshi antes de sua morte (em conjunto com o Cem contos) e foi publicado 1889-1892. A série pode ser encontrado em diferentes traduções para o inglês como nova seleção de trinta e seis aparições ou trinta e seis novos fantasmas.
Para Yoshitoshi no fim de sua vida, os temas de impressões foram predominantemente escolhido em rica tradição cultural do Japão e da história. Era um apelo do artista para os seus compatriotas para não abandonar os seus valores tradicionais em troca da modernização ocidental que havia começado no período "Meiji".
Assim como muitas peças de "Kabuki" Okiku foi um assunto popular para artistas de "ukiyo-e". Em 1830, Katsushika Hokusai incluiu ela como uma dos "kaidan" em sua série Cem contos (百物語 - Hyaku monogatari). Ekin, um artista um pouco notório que teve problemas com a lei, pintou um Byobu-e de Okiku sendo acusada por Tetsuzan Aoyama e seu irmão Tchuta.
Mais notavelmente, ela apareceu como uma das formas na Compilação de novas formas de trinta e seis fantasmas (新形三十六怪撰 - Shinkei Sanju rokukai sen) por Yoshitoshi Tsukioka. Seu retrato de Okiku é extraordinariamente simpático, ao contrário dos fantasmas vistos como aparições temíveis pelos japoneses do século XIX, refletindo uma tendência geral na sua obra posterior.
~ Versão de Kido Okamoto
Em 1655, em Edo, um vassalo do xogum Aoyama Harima apaixona-se pela jovem serva Okiku. Aoyama prometeu casar com ela, mas recentemente recebeu uma auspiciosa proposta de casamento de uma tia. Aoyama promete a Okiku que ele irá honrar seu amor, e recusar a proposta.
Okiku duvida e o testa, quebrando um de seus dez preciosos pratos que são o tesouro da família Aoyama. A punição tradicional para quem quebrasse um dos pratos é a morte, que é exigida pela família de Aoyama.
Primeiramente, Aoyama é convencido que Okiku quebrou o prato por acidente e a perdoa, mas quando Okiku revela que quebrou o prato como uma prova de amor, Aoyama se enfurece e a mata. Ele então a joga em um poço.
Desde então, o fantasma de Okiku é visto entrando na casa e contando os pratos, de um a nove. Encontrando-a no jardim, Aoyama vê que sua face fantasmagórica não é de vingança, mas é bela e calma. Fortalecendo-se com isso, ele comete seppuku e se junta a ela na morte.
Influência romântica: A versão de Kido Okamoto é notável por ser uma adaptação muito mais romântica da história, similar a versão do Kabuki de Botan Doro. Isso foi uma influência da restauração Meiji, que trouxe peças ocidentais para o Japão pela primeira vez. Peças ocidentais foram muito mais notáveis por elementos românticos, e isso foi adaptado no estilo de teatro conhecido como Shin Kabuki (新歌舞伎). Shin Kabuki foi basicamente uma malsucedida fusão do Ocidental e Oriental, apesar de que o Bancho Sarayashiki de Okamoto permanece como um dos poucos clássicos.
~ Influências na cultura japonesa
Em 1795, velhos poços no Japão sofreram um infestação de um tipo de larva que ficou conhecida como "inseto de Okiku" (お菊虫 - Okiku mushi). Acreditava-se que esta larva, coberta com finos fios que parecem ter sido ligados, seria uma reincarnação de Okiku.
Como a versão do ningyo joruri é localizada no castelo de Himeji, uma popular atração turística no castelo é "Okiku Ido", ou Poço de Okiku. Tradicionalmente, este seria o poço onde o corpo da infeliz criada foi atirado depois de ser morta por Tetsuzan. Embora o castelo seja fechado à noite, dizem que seu fantasma ainda de levanta todas as noites do poço e conta até nove antes de gritar e retornar.
O jogo de NES Monster Party tem um chefe de nome "The haunted well" (literalmente "O poço assombrado"), um poço que ataca arremessando pratos no jogador, em refererência ao conto. Mas já que o jogo foi lançado somente nos Estados Unidos, muitos jogadores não entendiam a ideia.
A mangaka Rumiko Takahashi incluiu uma paródia da lenda de Okiku em sua comédia romântica Maison Ikkoku, publicada na revista Big Comic Spirits de 1980 a 1987; a série depois virou desenho animado para a televisão japonesa. Retratara a história de Godai, um infeliz estudante universitário que galanteia e conquista sua linda senhoria viúva, Kyoko, apesar das frequentes palhaçadas dos outros moradores de Ikkoku-kan, a pensão administrada por Kyoko. Como parte de um evento de Obon, os residentes de Ikkoku-kan participam de um festival de verão; Kyoko se veste como Okiku e supostamente teria de se esconder em um poço raso. Entretanto, sendo esta uma comédia romântica, nada sai como planejado.
No mangá Gintama, há uma paródia da história quando o trio Yorozuya ajuda um homem a organizar um "teste de coragem".
textos e imagem: wikipedia
texto e imagens: artelino.com
segunda-feira, fevereiro 08, 2010
O Jardim de Ossos - Gerritsen
Gênero: Ficção, suspense, terror
Autor: Tess Gerritsen
País de origem: Estados Unidos
Ano de Lançamento: 2007
Número de Páginas: 446 páginas
Editora: Record
Sinopse:
Ossos desconhecidos, segredos não revelados e crimes não resolvidos lançam sombras ameaçadoras sobre o presente. A recém-divorciada Julia Hamill acaba de se mudar para a casa de seus sonhos, uma mansão em um enorme terreno. Tudo parece perfeito, até que, durante a reforma do jardim, Julian desenterra um crânio humano com indícios de homicídio. E o mais intrigante: a cova data do século XIX.
O ano é 1830. O jovem estudante de medicina Norris Marshall é o principal suspeito das atrocidades cometidas pelo Estripador de West End. Na companhia do amigo Oliver e da imigrante irlandesa Rose, Norris parte em busca do homem mais perigoso de Boston, a fim de provar a própria inocência, visitando desde lúgubres cemitérios e salas de necropsia até elegantes mansões.
Separadas por quase dois séculos, as duas histórias se desenvolvem de forma precisa e instigante, conduzindo o leitor a um final tão chocante quanto engenhosamente concebido.
Resenha:
Como não apreciar essa obra de Tess Gerritsen. Ela criou bons conflitos para você ler o livro até a ultima palavra.
Após o divorcio, Julia muda-se para uma casa onde uma velha de 90 anos morreu. Mas esse não é o problema, enquanto mexia em seu jardim Julia descobre ossos de uma mulher.
Muito antes disso, em 1830, mortes violentas acontecem em West End, Boston. E Norris Marshall, um estudante de medicina, com incríveis habilidades com um bisturi, é um dos principais suspeitos dos assassinatos. Ele e Rose Connolly, que após a morte de sua irmã, luta para sobreviver nas ruas de Boston com sua sobrinha Margaret, e acaba encontrando alguns corpos.
Mas a vida não é muito generosa com Rose, que além de sofrer as consequências das acusações, tem que dar duro pra cuidar da pequena Margaret e se esquivar do marido de sua irmã, que quer de qualquer jeito o bebê, mesmo não sendo seu filho.
Com a ajuda de Henry, um velho mal- humorado, que é da família da antiga moradora de sua casa; Julia e ele remexem nos documentos da família e descobrem cartas de O.W.H que ajudam a resolver os mistérios das mortes de Boston e descobrir a relação com os ossos que foram encontrados em seu jardim.
Além de a autora entrelaçar duas épocas diferentes na narrativa, ela dá algumas aulinhas de anatomia e nos apresenta um dos maiores médicos dos Estados Unidos, Oliver Wendell Holmes, que ajuda seu amigo Norris a provar sua inocência.
A capa do livro é muito bonita e combina bastante com a atmosfera do livro, sem contar que logo de cara você vê o elogio do mestre do terror, Stephen King.
Entretanto esse não é um livro que você pode ler após as refeições se você tiver estomago fraco e aversão a sangue e órgãos expostos.
Tirando esse detalhe você pode roer suas unhas até descobrir o verdadeiro Estripador de West End, que não é muito fácil de descobrir...
quinta-feira, janeiro 24, 2008
O Turno da Noite - Vianco
Quem pensou que os brasileiros não eram capazes de escrever um livro sobre vampiros... enganou-se de verde e amarelo! Hoje temos ótimos escritores brasileiros, sem compará-los ou pelo menos não julgá-los antes de lê-los! Aqui vai as sinopses dos livros do autor André Vianco.
~ O Turno da Noite - Os filhos de Sétimo (volume 1)
O turno da noite surgiu para agitar o submundo. Quatro vampiros recém-trazidos para a vida noturna, transformados pelo falecido Sétimo, são atraídos por um vampiro ancião que vive em São Paulo.
Ignácio oferece a proteção e ensinamentos para os novatos em troca de suas habilidades para lutar contra o crime organizado, assassinando e se alimentando dos criminosos. Se conseguem finalizar o assassinato com êxito, são recompensados pelo vampiro ancião. Ignácio é um vampiro frio, calculista que não se importa com os quatro. Se não conseguem completar a missão, são simplesmente abandonados.
Ignácio lhes dá uma cartilha que ele mesmo escreveu, chamando-a de "Cartilha da escuridão". Nela contém todas as dicas para ser um vampiro sagaz e apto para começar a vida noturna. Também lhes explica o porque deles serem considerados "O turno da Noite".

~ O Turno da Noite - Revelações - (volume 2)
São reveladas a origem e as reais intenções de Ignácio. O Exército brasileiro intensifica o combate aos vampiros. Antigos personagens de André Vianco reaparecem. Apresenta-se Calíope, vampira sensual e musa negra, que encanta os homens com sua voz e sua história. Calíope balança o desejo de destruição dos vampiros liderados pelo Capitão Brites.

~ O Turno da Noite - O Livro de Jó (volume 3)
Raul, capturado por aquele momento mágico, de soberba e alegria por ter dado fim num tão falado guardião de Jó, hipnotizado por aquele ritual sombrio e inescapável a qualquer ser vivente que era o desenlace do mundo vivo para a escuridão, acocorou-se perto do réptil, anfíbio, guardião do raio que o parta, e, inebriado, ficou a absorver aquela sensação. A morte deveria estar ali, bem ao lado da criatura, descendo seus dedos esqueléticos, igual para humanos, igual para guardiões, igual para tartarugas, joaninhas e pelicanos. Ela, com o rosto de caveira, desprovida de carne, parecendo sempre a rir e zombar dos viventes, tocaria no animal moribundo e engoliria sua alma, para cuspi-la no Aqueronte...
blog oficial: André Vianco
O turno da noite surgiu para agitar o submundo. Quatro vampiros recém-trazidos para a vida noturna, transformados pelo falecido Sétimo, são atraídos por um vampiro ancião que vive em São Paulo.
Ignácio oferece a proteção e ensinamentos para os novatos em troca de suas habilidades para lutar contra o crime organizado, assassinando e se alimentando dos criminosos. Se conseguem finalizar o assassinato com êxito, são recompensados pelo vampiro ancião. Ignácio é um vampiro frio, calculista que não se importa com os quatro. Se não conseguem completar a missão, são simplesmente abandonados.
Ignácio lhes dá uma cartilha que ele mesmo escreveu, chamando-a de "Cartilha da escuridão". Nela contém todas as dicas para ser um vampiro sagaz e apto para começar a vida noturna. Também lhes explica o porque deles serem considerados "O turno da Noite".
~ O Turno da Noite - Revelações - (volume 2)
São reveladas a origem e as reais intenções de Ignácio. O Exército brasileiro intensifica o combate aos vampiros. Antigos personagens de André Vianco reaparecem. Apresenta-se Calíope, vampira sensual e musa negra, que encanta os homens com sua voz e sua história. Calíope balança o desejo de destruição dos vampiros liderados pelo Capitão Brites.
~ O Turno da Noite - O Livro de Jó (volume 3)
Raul, capturado por aquele momento mágico, de soberba e alegria por ter dado fim num tão falado guardião de Jó, hipnotizado por aquele ritual sombrio e inescapável a qualquer ser vivente que era o desenlace do mundo vivo para a escuridão, acocorou-se perto do réptil, anfíbio, guardião do raio que o parta, e, inebriado, ficou a absorver aquela sensação. A morte deveria estar ali, bem ao lado da criatura, descendo seus dedos esqueléticos, igual para humanos, igual para guardiões, igual para tartarugas, joaninhas e pelicanos. Ela, com o rosto de caveira, desprovida de carne, parecendo sempre a rir e zombar dos viventes, tocaria no animal moribundo e engoliria sua alma, para cuspi-la no Aqueronte...
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quarta-feira, julho 25, 2007
O Corvo - Edgar Allan Poe
O Corvo
Numa sombria madrugada, enquanto eu meditava, fraco e cansado, sobre um estranho e curioso volume de folclore esquecido; enquanto cochilava, já quase dormindo, de repente ouvi um ruído. O som de alguém levemente batendo, batendo na porta do meu quarto. "Uma visita," disse a mim mesmo, "está batendo na porta do meu quarto
- É só isto e nada mais."
Ah, que eu bem disso me lembro, foi no triste mês de dezembro, e que cada distinta brasa ao morrer, lançava sua alma sobre o chão. Eu ansiava pela manhã. Buscava encontrar nos livros, em vão, o fim da minha dor - dor pela ausente Leonor - pela donzela radiante e rara que chamam os anjos de Leonor - cujo nome aqui não se ouvirá nunca mais.
E o sedoso, triste e incerto sussurro de cada cortina púrpura me emocionava - me enchia de um terror fantástico que eu nunca havia antes sentido. E buscando atenuar as batidas do meu coração, eu só repetia: "É apenas uma visita que pede entrada na porta do meu quarto - Uma visita tardia pede entrada na porta do meu quarto; - É só isto, só isto, e nada mais."
Mas depois minha alma ficou mais forte, e não mais hesitando falei: "Senhor", disse, "ou Senhora, vos imploro sincero vosso perdão. Mas o fato é que eu dormia, quando tão gentilmente chegastes batendo; e tão suavemente chegastes batendo, batendo na porta do meu quarto, que eu não estava certo de vos ter ouvido". Depois, abri a porta do quarto. Nada. Só havia noite e nada mais.
Encarei as profundezas daquelas trevas, e permaneci pensando, temendo, duvidando, sonhando sonhos mortal algum ousara antes sonhar. Mas o silêncio era inquebrável, e a paz era imóvel e profunda; e a única palavra dita foi a palavra sussurrada, "Leonor!". Fui eu quem a disse, e um eco murmurou de volta a palavra "Leonor!". Somente isto e nada mais.
De volta, ao quarto me volvendo, toda minh'alma dentro de mim ardendo, outra vez ouvi uma batida um pouco mais forte que a anterior. "Certamente," disse eu, "certamente tem alguma coisa na minha janela! Vamos ver o que está nela, para resolver este mistério. Possa meu coração parar por um instante, para que este mistério eu possa explorar. Deve ser o vento e nada mais!"
Abri toda a janela. E então, com uma piscadela, lá entrou esvoaçante um nobre Corvo dos santos dias de tempos ancestrais. Não pediu nenhuma licença; por nenhum minuto parou ou ficou; mas com jeito de lorde ou dama, pousou sobre a porta do meu quarto. Sobre um busto de Palas empoleirou-se sobre a porta do meu quarto. Pousou, sentou, e nada mais.
Depois essa ave negra, seduzindo meu triste semblante, acabou por me fazer sorrir, pelo sério e severo decoro da expressão por ela mostrada. "Embora seja raspada e aparada a tua crista," disse eu, "tu, covarde não és nada. Ó velho e macabro Corvo vagando pela orla das trevas! Dize-me qual é teu nobre nome na orla das trevas infernais!".
E o Corvo disse: "Nunca mais."
Muito eu admirei esta ave infausta por ouvir um discurso tão atenta, apesar de sua resposta de pouco sentido, que pouca relevância sustenta. Pois não podemos deixar de concordar, que ser humano algum vivente, fora alguma vez abençoado com a vista de uma ave sobre a porta do seu quarto; ave ou besta sobre um busto esculpido, sobre a porta do seu quarto, tendo um nome como "Nunca mais."
Mas o corvo, sentado sozinho no busto plácido, disse apenas aquela única palavra, como se naquela única palavra sua alma se derramasse. Depois, ele nada mais falou, nem uma pena ele moveu, até que eu pouco mais que murmurei: "Outros amigos têm me deixado. Amanhã ele irá me deixar, como minhas esperanças têm me deixado."
Então a ave disse "Nunca mais."
Impressionado pelo silêncio quebrado por resposta tão precisa, "Sem dúvida," disse eu, "o que ele diz são só palavras que guardou; que aprendeu de algum dono infeliz perseguido pela Desgraça sem perdão. Ela o seguiu com pressa e com tanta pressa até que sua canção ganhou um refrão; até ecoar os lamentos da sua Esperança que tinha como refrão a frase melancólica 'Nunca - nunca mais.' "
Mas o Corvo ainda seduzia minha alma triste e me fazia sorrir. Logo uma cadeira acolchoada empurrei diante de ave, busto e porta. Depois, deitado sobre o veludo que afundava, eu me entreguei a interligar fantasia a fantasia, pensando no que esta agourenta ave de outrora, no que esta hostil, infausta, horrenda, sinistra e agourenta ave de outrora quis dizer, ao gritar, "Nunca mais."
Concentrado me sentei para isto adivinhar, mas sem uma sílaba expressar à ave cujos olhos ígneos no centro do meu peito estavam a queimar. Isto e mais eu sentei a especular, com minha cabeça descansada a reclinar, no roxo forro de veludo da cadeira que a luz da lâmpada contemplava, mas cujo roxo forro de veludo que a lâmpada estava a contemplar ela não iria mais apertar, ah, nunca mais!
Então, me pareceu o ar ficar mais denso, perfumado por invisível incensário, agitado por Serafim cujas pegadas ressoavam no chão macio. "Maldito," eu gritei, "teu Deus te guiou e por estes anjos te enviou. Descansa! Descansa e apaga o pesar de tuas memórias de Leonor. Bebe, oh bebe este bom nepenthes e esquece a minha perdida Leonor!"
E o Corvo disse: "Nunca mais."
"Profeta!" disse eu, "coisa do mal! - profeta ainda, se ave ou diabo! - Tenhas sido enviado pelo Tentador, tenhas vindo com a tempestade; desolado porém indomável, nesta terra deserta encantado, neste lar pelo Horror assombrado, dize-me sincero, eu imploro. Há ou não - há ou não bálsamo em Gileade? - dize-me - dize-me, eu imploro!"
E o Corvo disse: "Nunca mais."
"Profeta!" disse eu, "coisa do mal! - profeta ainda, se ave ou diabo! Pelo Céu que sobre nós se inclina, pelo Deus que ambos adoramos, dize a esta alma de mágoa carregada que, antes do distante Éden, ela abraçará aquela santa donzela que os anjos chamam de Leonor; que abraçará aquela rara e radiante donzela que os anjos chamam Leonor."
E o Corvo disse: "Nunca mais."
"Que essa palavra nos aparte, ave ou inimiga!" eu gritei, levantando - "Volta para a tua tempestade e para a orla das trevas infernais! Não deixa pena alguma como lembrança dessa mentira que tua alma aqui falou! Deixa minha solidão inteira! - sai já desse busto sobre minha porta! Tira teu bico do meu coração, e tira tua sombra da minha porta!"
E o Corvo disse: "Nunca mais."
E o Corvo, sem sequer se bulir, se senta imóvel, se senta ainda, sobre o pálido busto de Palas que há sobre a porta do meu quarto. E seus olhos têm toda a dor dos olhos de um demônio que sonha; e a luz da lâmpada que o ilumina, projeta a sua sombra sobre o chão. E minh'alma, daquela sombra que jaz a flutuar no chão, levantar-se-á - nunca mais!
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